Deputado leva ao CNJ reclamações de empresários sobre dificuldades para retirar protestos em cartório

O deputado federal Rodrigo Estacho encaminhou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um ofício solicitando a avaliação de mudanças nos procedimentos adotados pelos cartórios de protesto em todo o país.

A iniciativa surgiu a partir de relatos frequentes de pequenos e médios empresários que, mesmo após quitarem suas dívidas com fornecedores, continuam com o nome protestado devido ao alto custo das taxas cartoriais exigidas para a baixa do protesto.

Segundo os empresários, muitas vezes o valor cobrado pelo cartório é maior do que a própria dívida atrasada, o que dificulta a regularização da situação e mantém o nome negativado por longos períodos.

Pagou a dívida, mas continua penalizado”

Na prática, o problema acontece quando o empresário quita o débito principal, mas não consegue pagar à vista as custas do cartório. Sem a baixa do protesto, ele enfrenta dificuldades para obter crédito, comprar a prazo, negociar com fornecedores e manter o negócio funcionando.

“Não estamos falando de calote, mas de pessoas que querem regularizar e não conseguem. O sistema acaba punindo quem já pagou”, explica o deputado.

Pedido ao CNJ busca solução mais rápida

No documento enviado ao CNJ, o parlamentar pede que o órgão avalie medidas administrativas para padronizar os procedimentos dos cartórios, garantindo mais justiça e previsibilidade ao cidadão.

Entre os pontos sugeridos estão:

  • definição de um prazo nacional para retirada do protesto após o pagamento da dívida;
  • possibilidade de parcelamento das taxas cartoriais;
  • mais transparência sobre os custos envolvidos;
  • integração eletrônica para agilizar a comunicação entre credores e cartórios.

O deputado destaca que o objetivo não é questionar a importância dos cartórios ou da cobrança das taxas, mas corrigir distorções que acabam travando empresas economicamente viáveis.

Segundo o parlamentar, quando uma empresa fica impedida de funcionar por causa de entraves burocráticos, toda a economia local sofre. “Empresa travada significa menos emprego, menos impostos e menos movimento no comércio. É um problema individual que vira coletivo”, afirma.

A atuação junto ao CNJ é o primeiro passo. Paralelamente, o deputado avalia mudanças na legislação para tratar o tema de forma definitiva, caso seja necessário.